Descoberta

Estando na floresta espio a felicidade dos outros
Perdido na bruma pergunto: Onde está a saída?
Naquele intenso nevoeiro mergulho no desespero
Na loucura da incerteza e da melancolia
Perdido e completamente só
Pergunto quem me irá salvar
Será que alguém sente a minha falta?
Ficarei aqui perdido para sempre
Não conheço este caminho nem esta floresta
Totalmente perdido nesta densa bruma
Nesta neblina que me cega e retira os meus sentidos
Sim, os meus!
Não só estou quase cego como não sinto, cheiro ou ouço nada
NADA!
Que me está a acontecer?
Tolhido encontro-me nesta floresta

Perdido
Que fazer?
Continuar sem sentir?
Sem ver?
Sem acreditar?
Acreditar…acreditar
Acreditar que sou capaz
Capaz de vencer
Vencer esta escuridão
De aceitar aquilo que sou

Photo by Isaac Davis on Unsplash

Anúncios

Esperança

Notou-se a ira na sua expressão

Seguiu-se o desalento

O sentimento de incapacidade

Desolado

Sem esperança

Pedido

Sem qualquer referência

Sem nada

Vazio

Pedido de ideias

Sem noção do que fazer

Respira e sente

Sente o seu corpo e o seu entorno

Relaxa e decide

Nunca se render

A solução aparecerá

A esperança renasce

Duração

Pensamos que tudo dura para sempre

Que tudo perdura e permanece

Mas nem sempre acontece

Ou melhor

NUNCA acontece

Tudo é mutável

Tudo se transforma

Tudo germina e cresce

Cresce sem parar

Aumenta incessantemente

Sem nota para parar

Continua até

Até realizarmos

Que somos os responsáveis

Responsáveis pelo tamanho

Pela imensidão do problema

Nas nossas mãos está o seu término

A sua alimentação desmesurada

Sem control

Nas nossas mãos está presente a sua dissolução

A sua pequenez

A sua dissolução depende de nós

Da nossa vontade

O nosso querer de controlo alimenta

Alimenta sem parar

Sem olhar a meios

Parando a alimentação para-se o crescimento

Aquilo que nos impede de crescer

De viver

Alcançar os objetivos

Parar o crescimento

Olhar e revelar

Revelar que afinal

Afinal o problema não era problema

Mas sim uma ilusão

Resolver, aprender, VIVER

Agora vs Miragem

No horizonte da vida perdura a incógnita

O desconhecido

O inalcançável

Perdura e mantém-se fora do nosso alcance

Perdido numa ideia criada

Criada e gerada por nós

Essa ideia criada

Toma valores elevados

Valores para nós inalcançáveis

Sempre será mais

A ideia aumenta sem parar

Criando sempre algo mais para se tornar inalcançável

E assim que acaba a vida

Realizamos

Tomamos consciência que não passou de uma ilusão

De um truque bem elaborado

Como um truque de magia

Como uma miragem

Será necessário acordar?

Realizar que não passa de uma miragem?

Realizar que o Ser necessita de algo mais?

Que o Ser necessita é do presente

De viver o momento e esquecer a miragem

Viver o momento

Esquecer a miragem

Ver o que está perante os olhos

Mesmo à frente do nariz

Viver e aprender

Viver

Doce ternura perdida pelo tempo

Tempo que passa sem temer qualquer perigo

Perigo que não teme quem aparece

Aparece quem não teme

Temer o invisível é a nossa morte

O invisível encolhe o nosso ser

A nossa vontade de superação

A vontade de vencer a adversidade

Adversidade que aparece para nos ensinar

Que nada é o que parece

E viver a pensar no invisível não é forma de viver

O que acontece acontecerá

Nada do que imaginamos será o que acontece

O visível aparece e nos não vemos

Não conseguimos ver e sentir o que está a acontecer

Pensamos no invisível e dedicamos totalmente o nosso ser nesse valor invisível

Nas sensações invisíveis permanecemos

Sem viver o que realmente sentimos

Nesse mundo criado vivemos

E esquecemos o real

O que realmente sentimos

Menosprezando os sintomas

Os gritos do nosso ser

Ouvimos tarde demais

Mas acredito que sempre a tempo de mudar

Ouvir o sentimento, adora-lo, ama-lo

Compreender o sentido

E viver

Aqui e agora

Esquecer o invisível

E viver o visível

E assim aprender

Sentir

No limiar da ternura perdida

Reencontro o eu que perdi

Aquele que está pronto para sair

Sentir e amar

Sem julgamentos

Sem qualquer dúvida

Apenas viver a experiência do amor

Sentir no seu coração

Aquele calor

Aquela luz

Aquele prazer de se sentir amado

Querido

Apreciado

Sentir assim sem pudor

Sem qualquer dúvida da realidade do ato

Sem qualquer defesa nem máscara

Sentir o amor que me rodeia

E daqueles que me amam

Sentir só por sentir

Viver a alegria do momento

Viver o presente

Aquele carinho ou abraço

Viver agora sem pensar

Simplesmente sentir

Esse amor que me rodeia e me protege

A sentir estarei e a viver o agora também

Viver

Estando parado á espera

Reparo que tudo é fútil

Inalcançável

Segundo os parâmetros da sociedade

É inalcançável

Porque nos esforçamos tanto para atingir o inalcançável

E esquecemos o que temos na frente

No momento presente

Aquilo que podemos alcançar

O que está mesmo á nossa frente

Porque é que não vemos?

O que nos leva a ignorar as evidências

A nossa vida

O nosso presente

Porque nos recusamos a olhar para nós

Ver o que precisamos

O que realmente precisamos

Porquê?

Será demasiado pedir?

Viver o momento

Será demasiado olhar para dentro

Viver e sentir o momento

Sentir o amor e carinho que nos rodeia

Será?

Pois agora será isso que farei

Esquecerei os parâmetros da sociedade e sentirei

Sim, sentirei tudo o que me rodeia

Querer

Manuscrito perdido no horizonte, nos faz pensar na vida e na morte

Tão efeméride a nossa existência

Tão volátil o nosso querer

Perdido no horizonte o pedido está

O pedido perdido que já não importa

Porque o tempo levou a importância

A importância do momento que o tempo levou

O momento passou e o pedido também

A vontade alterou-se

Moldou-se ao momento que o tempo alterou

Mudou o querer e a vontade

Perdeu-se no tempo do querer

Alterou-se para nunca mais voltar

Como é efémero o nosso querer